{"id":2845,"date":"2024-10-02T10:33:42","date_gmt":"2024-10-02T10:33:42","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaloassobio.pt\/?p=2845"},"modified":"2024-12-03T11:11:26","modified_gmt":"2024-12-03T11:11:26","slug":"abril-em-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaloassobio.pt\/?p=2845","title":{"rendered":"ABRIL DE LIBERDADE &#8230;EM PESSOA"},"content":{"rendered":"<div class='booster-block booster-read-block'>\r\n                <div class=\"twp-read-time\">\r\n                \t<i class=\"booster-icon twp-clock\"><\/i> <span>Read Time:<\/span>3 Minute, 34 Second                <\/div>\r\n\r\n            <\/div><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2862 aligncenter\" src=\"https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-169x300.jpg\" alt=\"\" width=\"237\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-169x300.jpg 169w, https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-576x1024.jpg 576w, https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-768x1365.jpg 768w, https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-864x1536.jpg 864w, https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/jornaloassobio.pt\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/20241003_080243-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 237px) 100vw, 237px\" \/><\/p>\n<div class=\"texto-poesia\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Deram-me um cravo vermelho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Para eu ver como \u00e9 a vida.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas esqueci-me do cravo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pela hora da sa\u00edda.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>O cravo que tu me deste<\/strong><\/h4>\n<div class=\"texto-poesia\">\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Era de papel rosado.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mas mais bonito era inda<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>O amor que me foi negado.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"data\" style=\"text-align: center;\"><strong>s.d.<\/strong><\/div>\n<div class=\"biblio\">\n<p><b>Quadras ao Gosto<\/b>\u00a0<b>Popular.<\/b>\u00a0Fernando Pessoa. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: \u00c1tica, 1965. (6\u00aa ed., 1973).<\/p>\n<\/div>\n<h3>Palavra derivada do latim <em>aprilis<\/em>, abril, o &#8220;m\u00eas dos cravos&#8221;, no calend\u00e1rio republicano franc\u00eas era apelidado de &#8220;germinal&#8221;.<\/h3>\n<h3>Segundo a mitologia greco-romana, o quarto m\u00eas do ano era consagrado a Apolo ou Febo, Deus do Sol, da Poesia e das Artes.<\/h3>\n<h3>Talvez influenciado pelo Deus da Poesia e das Artes, Fernando Pessoa, criativo e prolixo, associou o timbre da sua escrita a uma vis\u00e3o enigm\u00e1tica do universo e, controverso, na biblioteca dos dias, procurou ler outras vidas.<\/h3>\n<h3>Assim, criava imposs\u00edveis : no dia 16 de abril de 1888, em Lisboa, pelas 13h45, fazia nascer o seu &#8220;mestre&#8221; Alberto Caeiro, mais velho do que o seu criador, que nasceu no dia 13 de junho do mesmo ano.<\/h3>\n<h3>Crian\u00e7a precoce na imagina\u00e7\u00e3o e na intelig\u00eancia, com dez anos de idade , no dia 7 de abril de 1899, j\u00e1 Fernando Pessoa explorava novos horizontes escolares ao ingressar na Durban High School, na \u00c1frica do Sul, onde ganharia o primeiro pr\u00e9mio de um concurso liter\u00e1rio.<\/h3>\n<h3>Alguns anos mais tarde, regressado a Lisboa, inscreveu-se no Curso Superior de Letras de Lisboa mas, talvez influenciado por uma greve acad\u00e9mica na Universidade de Coimbra, em abril de 1907, que paralisou o referido curso, Pessoa n\u00e3o se enquadrou nas normas institucionais e desistiu dos seus estudos acad\u00e9micos.<\/h3>\n<h3>Mais tarde , em abril de 1912, publicou na revista <em>\u00c1guia<\/em>, do Porto, o seu primeiro artigo de cr\u00edtica liter\u00e1ria &#8220;<em>A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada<\/em>&#8220;, no qual expressa o seu ide\u00e1rio po\u00e9tico.<\/h3>\n<h3>Em abril de 1913,a prop\u00f3sito de uma exposi\u00e7\u00e3o de caricaturas de Almada Negreiros, Pessoa escrevia o artigo &#8220;<em>As caricaturas de Almada<\/em> <em>Negreiros<\/em>&#8220;, publicado na revista <em>\u00c1guia<\/em>. Nele, Pessoa deixou uma frase enigm\u00e1tica: &#8220;(\u2026)\u00a0 Almada Negreiros n\u00e3o \u00e9 um g\u00e9nio &#8211; manifesta-se em n\u00e3o se manifestar&#8221;.<\/h3>\n<h3>No jornal <em>Rep\u00fablica<\/em>, de 7 de abril de 1914, Pessoa respondia ao inqu\u00e9rito &#8220;Qual o mais belo livro portugu\u00eas dos \u00faltimos trinta anos?&#8221; O poeta indicava <em>P\u00e1tria<\/em>, de Guerra Junqueiro, como a melhor obra, e acrescentava, de forma provocadora:&#8221; <em>Os Lus\u00edadas<\/em> ocupam honradamente o segundo lugar&#8221;.<\/h3>\n<h3>No dia 4 de abril de 1915, Pessoa iniciava a sua colabora\u00e7\u00e3o em <em>O Jornal<\/em>, onde publicaria, at\u00e9 ao dia 21 de abril, dez textos, seis deles na rubrica &#8220;Cr\u00f3nica da vida que passa\u2026&#8221;. Ainda em abril do mesmo ano, seriam publicadas a &#8220;Ode Mar\u00edtima&#8221;, de \u00c1lvaro de Campos e a &#8220;Chuva Obl\u00edqua&#8221;, na revista <em>Orpheu<\/em> (segundo n\u00famero).<\/h3>\n<h3>Em 1916, no dia 1 de abril , foi publicado o poema &#8220;Hora absurda&#8221; e um artigo de cr\u00edtica liter\u00e1ria &#8220;Movimento Sensacionista&#8221;.<\/h3>\n<h3>Passados doze dias, Pessoa respondia a um inqu\u00e9rito do seman\u00e1rio <em>Ideia Nacional<\/em> sobre a influ\u00eancia da nova gera\u00e7\u00e3o na vida portuguesa da altura. A sua resposta, breve e ir\u00f3nica, foi: &#8220;Nenhuma, porque n\u00e3o h\u00e1 vida portuguesa. A \u00fanica vida portuguesa que h\u00e1 \u00e9 a nova gera\u00e7\u00e3o, e essa, por enquanto, pouco se tem influenciado a si pr\u00f3pria&#8221;.<\/h3>\n<h3>Treze dias depois, a 26 de abril , Pessoa perdia o seu &#8220;companheiro de psiquismo&#8221;, M\u00e1rio de S\u00e1 Carneiro, numa morte tr\u00e1gica. Dois anos mais tarde, em 29 de abril de 1918, desaparecia outro dos seus companheiros de <em>Orpheu<\/em>, Santa-Rita Pintor.<\/h3>\n<h3>Pessoa apoiou, frequentemente, alguns amigos que se viam envolvidos em pol\u00e9micas. Foi o caso de Raul Leal, que foi defendido por si na folha volante &#8220;Sobre um manifesto de estudantes&#8221;, em abril de 1923 e tamb\u00e9m Ant\u00f3nio Botto, sobre a quest\u00e3o da homossexualidade.<\/h3>\n<h3>O <em>Livro do Desassossego<\/em>, que viria a surgir postumamente, viu publicado em abril de 1929, em <em>A Revista<\/em>, o primeiro dos seus trechos.<\/h3>\n<h3>Finalmente, \u00e9 no dia 1 de abril de 1931 que este &#8220;insincero ver\u00eddico&#8221;, nas palavras de Adolfo Casais Monteiro, parece querer decifrar um dos mist\u00e9rios da sua cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria com o poema &#8220;Autopsicografia&#8221;: &#8220;O poeta \u00e9 um fingidor\/finge t\u00e3o completamente\/que chega a fingir que \u00e9 dor\/ a dor que deveras sente&#8221; .<\/h3>\n<h3>No entanto, 1 de abril \u00e9 conhecido como o dia das mentiras \u2026<\/h3>\n<p style=\"text-align: right;\">C.G.<\/p>\n        <div class=\"booster-block booster-reactions-block\">\r\n            <div 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