
Deram-me um cravo vermelho
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.
O cravo que tu me deste
Era de papel rosado.
Mas mais bonito era inda
O amor que me foi negado.
Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973).
Palavra derivada do latim aprilis, abril, o “mês dos cravos”, no calendário republicano francês era apelidado de “germinal”.
Segundo a mitologia greco-romana, o quarto mês do ano era consagrado a Apolo ou Febo, Deus do Sol, da Poesia e das Artes.
Talvez influenciado pelo Deus da Poesia e das Artes, Fernando Pessoa, criativo e prolixo, associou o timbre da sua escrita a uma visão enigmática do universo e, controverso, na biblioteca dos dias, procurou ler outras vidas.
Assim, criava impossíveis : no dia 16 de abril de 1888, em Lisboa, pelas 13h45, fazia nascer o seu “mestre” Alberto Caeiro, mais velho do que o seu criador, que nasceu no dia 13 de junho do mesmo ano.
Criança precoce na imaginação e na inteligência, com dez anos de idade , no dia 7 de abril de 1899, já Fernando Pessoa explorava novos horizontes escolares ao ingressar na Durban High School, na África do Sul, onde ganharia o primeiro prémio de um concurso literário.
Alguns anos mais tarde, regressado a Lisboa, inscreveu-se no Curso Superior de Letras de Lisboa mas, talvez influenciado por uma greve académica na Universidade de Coimbra, em abril de 1907, que paralisou o referido curso, Pessoa não se enquadrou nas normas institucionais e desistiu dos seus estudos académicos.
Mais tarde , em abril de 1912, publicou na revista Águia, do Porto, o seu primeiro artigo de crítica literária “A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada“, no qual expressa o seu ideário poético.
Em abril de 1913,a propósito de uma exposição de caricaturas de Almada Negreiros, Pessoa escrevia o artigo “As caricaturas de Almada Negreiros“, publicado na revista Águia. Nele, Pessoa deixou uma frase enigmática: “(…) Almada Negreiros não é um génio – manifesta-se em não se manifestar”.
No jornal República, de 7 de abril de 1914, Pessoa respondia ao inquérito “Qual o mais belo livro português dos últimos trinta anos?” O poeta indicava Pátria, de Guerra Junqueiro, como a melhor obra, e acrescentava, de forma provocadora:” Os Lusíadas ocupam honradamente o segundo lugar”.
No dia 4 de abril de 1915, Pessoa iniciava a sua colaboração em O Jornal, onde publicaria, até ao dia 21 de abril, dez textos, seis deles na rubrica “Crónica da vida que passa…”. Ainda em abril do mesmo ano, seriam publicadas a “Ode Marítima”, de Álvaro de Campos e a “Chuva Oblíqua”, na revista Orpheu (segundo número).
Em 1916, no dia 1 de abril , foi publicado o poema “Hora absurda” e um artigo de crítica literária “Movimento Sensacionista”.
Passados doze dias, Pessoa respondia a um inquérito do semanário Ideia Nacional sobre a influência da nova geração na vida portuguesa da altura. A sua resposta, breve e irónica, foi: “Nenhuma, porque não há vida portuguesa. A única vida portuguesa que há é a nova geração, e essa, por enquanto, pouco se tem influenciado a si própria”.
Treze dias depois, a 26 de abril , Pessoa perdia o seu “companheiro de psiquismo”, Mário de Sá Carneiro, numa morte trágica. Dois anos mais tarde, em 29 de abril de 1918, desaparecia outro dos seus companheiros de Orpheu, Santa-Rita Pintor.
Pessoa apoiou, frequentemente, alguns amigos que se viam envolvidos em polémicas. Foi o caso de Raul Leal, que foi defendido por si na folha volante “Sobre um manifesto de estudantes”, em abril de 1923 e também António Botto, sobre a questão da homossexualidade.
O Livro do Desassossego, que viria a surgir postumamente, viu publicado em abril de 1929, em A Revista, o primeiro dos seus trechos.
Finalmente, é no dia 1 de abril de 1931 que este “insincero verídico”, nas palavras de Adolfo Casais Monteiro, parece querer decifrar um dos mistérios da sua criação literária com o poema “Autopsicografia”: “O poeta é um fingidor/finge tão completamente/que chega a fingir que é dor/ a dor que deveras sente” .
No entanto, 1 de abril é conhecido como o dia das mentiras …
C.G.
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