O escritor morreu! Viva o escritor!
António Lobo Antunes partiu! Fisicamente apenas! Irá sobreviver e permanecer o seu espírito irreverente, contestatário, obsessivo, livre, expresso nas suas crónicas e narrativas.
Dia 5 de março de 2026 vai ficar marcado na cronologia literária como a data do desaparecimento de um dos maiores escritores da língua portuguesa contemporânea.
Nascido em Lisboa em 1942, formado em Medicina,foi marcado por várias experiências de vida como a sua passagem pela Guerra Colonial como médico militar e as consultas de Psiquiatria no Hospital Miguel Bombarda.
Em 1979, já em tempos de liberdade, estreou-se com “Memória de Elefante” e nunca mais foi esquecido.
Seguiram-se “Os Cus de judas”, “Conhecimento do Inferno”, “Manual dos Inquisidores”, “Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo” ou “Eu Hei-de Amar uma Pedra”.
Durante mais de quarenta anos, escreveu mais de 30 romances e crónicas, ilustrados por uma linguagem incisiva e cirúrgica e por imagens marcantes.
Eterno candidato ao Prémio Nobel da Literatura, sempre privilegiou a memória em detrimento da imaginação. Foram dele as seguintes palavras, numa entrevista ao “Expresso”:“A imaginação não existe. O que existe é a memória. A maneira como arranjamos os materiais da memória”.
O escritor tinha várias particularidades, entre as quais escrever sempre à mão e não fazer planos para os romances. “As imagens vêm ter comigo não sei bem como nem de onde”, disse numa entrevista, insistindo que a memória era o verdadeiro motor da escrita. 
Nas palavras sábias de Marcelo Rebelo de Sousa, “António Lobo Antunes escreveu toda a sua obra de romancista, mas também de cronista, num registo de ternura contundente, com a mágoa e o fracasso das vidas comuns postos lado a lado com as tragédias políticas, o excesso e a empatia. Herdeiro de Céline, de Faulkner, de Cardoso Pires, Lobo Antunes deixou uma bibliografia vasta, visceral, sofisticada em termos narrativos, atenta ao quotidiano, e muito tributária de experiências como a guerra e a prática clínica da psiquiatria”.
Para Gonçalo M. Tavares, António Lobo Antunes é “um caso extraordinário de alguém que criou uma forma de a língua se exprimir”. “Através de repetições, apanhando muito a fala popular, o ‘deslarga-me’, a conversa de café, apanhando muito as repetições, apanhando tiques de linguagem e retransformando-os num conjunto de vozes infinitas de grande literatura”, justificou. Além disso, considera que Lobo Antunes “deve ser um dos autores que mais influenciou outros autores”.
A Feira do Livro de Lisboa, onde era presença constante, continuará a recordá-lo, sentado a assinar os seus livros, à sombra de uma árvore frondosa, com o canto dos pássaros a agitar a brisa suave da primavera.
Até sempre e para sempre, António Lobo Antunes!
Citações retiradas de:
https://expresso.pt/cultura/Livros/2026-03-05-morreu-antonio-lobo-antunes-um-dos-maiores-escritores-da-literatura-contemporanea-5c0ee1e0
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