Eva Szepesi, sobrevivente de 91 anos, sublinhou no parlamento alemão que “Shoah” não começou em Auschwitz. Começou com palavras… Começou com o silêncio da sociedade e com o afastar do olhar.
As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Severim de Faria, nomeadamente a Biblioteca da Escola Básica de Santa Clara e a Biblioteca da Escola Secundária Severim de Faria, assinalaram o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, com exposições e um ciclo de cinema.
Exatamente, porque é preciso falar, é preciso mostrar, é preciso que os nossos jovens se choquem, se indignem e percebam de que modo o mal se pode tornar tão banal, ao ponto de se conviver e colaborar pacificamente com ele. Tudo começa de forma quase impercetível, a princípio a discriminação de minorias: doentes mentais, pessoas com deficiência física, ciganos, homossexuais, depois a estrela no peito dos judeus, a limitação dos seus direitos, os guetos, a perseguição, os esconderijos, a desumanização. No final a morte bem planeada de milhões de pessoas nos campos de concentração. E perguntamos: como foi isto possível na Europa do séc. XX? A dúvida assalta-nos: poderá algo semelhante voltar a acontecer?
Não podemos silenciar!
As exposições “Para Nunca Esquecer” e “Para Além das Aparências” estiveram patentes de 22 a 26 de Janeiro na Escola Básica de Santa Clara e de 29 de Janeiro a 2 de Fevereiro na Escola Secundária Severim de Faria. Nesta mesma semana, na Escola Secundária Severim de Faria, decorreu também um Ciclo de Cinema sobre o tema do Holocausto. Filmes como: Páginas de Liberdade; Anne Frank-Histórias Paralelas; Noite e Neblina e Aristides de Sousa Mendes – Cônsul de Bordéus, trouxeram ao Auditório da Escola Secundária muitas professores com as suas turmas, num total de 302 alunos. Depois da projeção do documentário Noite e Neblina, realizado por Allain Resnais em 1955, sob encomenda do Comité da História da Segunda Guerra Mundial, aconteceu uma profunda Conversa entre professores e alunos. Falou-se da história da Alemanha, da ascensão de Adolf Hitler ao poder, de descontentamento social, de discriminação, de regimes totalitaristas, da ditadura salazarista, das experiências sobre obediência e conformismo realizadas depois da guerra, em suma, falou-se de Humanidade.

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