
Passados 27 anos do desaparecimento de uma das maiores pintoras portuguesas, vamos recordar a sua vida e a sua obra, nomeadamente no que se refere à sua paixão pelas cores do Alentejo.
A ‘Janela Manuelina da Casa Garcia de Resende’, da pintora portuguesa Maluda (1934-1999), foi o desenho escolhido para ilustrar o postal que assinalou os trinta anos de Évora Património Mundial Unesco (desde 1986), atualmente 40 anos.
Esta pintura já tinha sido reproduzida, em 1988, no bloco de um selo de 150 escudos, dedicado à Lubrapex-88 e, há 30 anos, para assinalar a elevação de Évora a Património Mundial pela Unesco. Em 1989 valeu aos Correios de Portugal o Prémio Mundial para Melhor Selo atribuído pela World Government Stamp Printers Conference, em Périgaud, França.


Maria de Lourdes Ribeiro, conhecida por Maluda, nasceu a 15 de Novembro de 1934, na cidade de Pangim, no então Estado Português da Índia.
A partir do ano de 1948, viveu em Lourenço Marques (atual Maputo) e foi lá que começou o seu trabalho de pintura como retratista autodidata. Foi também lá que formou, com Garizo do Carmo, João Paulo e João Ayres o grupo de pintura “Os Independentes”, que expôs coletivamente em 1961, 1962 e 1963.
No ano de 1963 foi lhe atribuída uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e viajou para Portugal, onde trabalhou com o mestre Roberto de Araújo em Lisboa.
Entre os anos de 1964 e 1967 viveu em Paris, como bolseira da Gulbenkian. Trabalhou na Academia de la Grande Chaumière com os mestres Jean Aujame e Michel Rodde. Durante a sua estadia em Paris conviveu com artistas como Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Seznes.
A sua primeira exposição individual, ocorreu no ano de 1969, na galeria do Diário de Notícias, em Lisboa.
Em 1973 realizou uma grande exposição individual na Fundação Gulbenkian, que obteve um enorme sucesso, registando cerca de 15.000 visitantes e lhe deu grande notoriedade a partir de então.
Entre os anos de 1976 e 1978, foi novamente bolseira da Fundação Gulbenkian, estudando em Londres e na Suíça.
A partir de 1978 dedicou-se à temática das janelas, procurando utilizá-las como metáfora da composição público-privada.
No ano de 1981, publicou o seu livro “Maluda” com prefácio de Maria Helena Vieira da Silva.
Ao longo da sua carreira foi galardoada com variadíssimos prémios de entre os quais destacamos:
– “Prémio de Pintura” da Academia Nacional de Belas Artes de Lisboa, em 1979, o World Government Stamp Printers Conference, em Washington, em 1987 e em Périgueux (França), em 1989, o “Prémio mundial” para o melhor selo (e colaboração com os CTT). o prestigiado “Prémio Bordalo Pinheiro”, atribuído pela Casa da Imprensa, em 1994, ano em que viria a realizar, no âmbito da “Lisboa Capital da Cultura”, uma exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa. A 13 de outubro de 1998 foi agraciada pelo Presidente da República (Jorge Sampaio) com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, ao mesmo tempo que realizou a sua última exposição individual, “Os selos de Maluda”, patrocinada pelos CTT.
Faleceu em Lisboa, a 10 de Fevereiro de 1999 e, em testamento, a artista instituiu o “Prémio Maluda de Pintura” que, durante alguns anos, foi atribuído pela Sociedade Nacional de Belas-Artes. Receberam este prémio as pintoras Ana Vidigal (1999), Cristina Valadas (2000) e Fátima Mendonça (2001).
In https://tribunaalentejo.pt/artigos/evora-transformada-em-postal-dos-ctt;
In https://www.cps.pt/pt/loja/s0084?srsltid=AfmBOopF2y5wDgk00zR7zdSAux0p8asEvyGJtQKiBTn76kOaTVZgYh7F, consultados em 10/2/2026.
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