

A Associação Juventude da Candelária, no concelho de Ponta Delgada, assinalou uma década de cooperação com a Escola Severim de Faria, de Évora, através do Projeto de Intercâmbio “Elos de Liberdade”. A iniciativa promove o contacto entre diferentes gerações e, este ano, contou com a participação de 10 alunos do curso profissional de Apoio Psicossocial, que viajaram do Alentejo para os Açores com o objetivo de desenvolver ações de voluntariado comunitário e valorização pedagógica em contexto real.
Sob o tema “Elos de Liberdade: ajudar, respeitar e partilhar”, jovens e idosos envolveram-se em dinâmicas, jogos interativos e momentos de debate centrados no significado da Liberdade. Para os estudantes, estas atividades funcionaram como uma verdadeira “aula de história” viva, permitindo compreender melhor a realidade portuguesa anterior ao Revolução de 25 de Abril, através de testemunhos diretos.
Os relatos dos mais velhos destacaram um passado marcado por fortes restrições sociais, especialmente para as mulheres. Entre as memórias partilhadas, surgem referências à proibição do uso de calças, à obrigação de regressar a casa antes das sete da noite e às limitações na participação em festas. Outro aspeto marcante foi a partilha de experiências relacionadas com a Educação Sexual da época, com algumas idosas a recordarem que, na juventude, acreditavam na história da “cegonha”, devido à ausência de informação, tanto em contexto familiar como escolar — um contraste evidente com a realidade atual.
A parceria é considerada uma mais-valia a nível humano e profissional. Para os alunos de Évora, a experiência proporcionou o contacto com novas culturas e o desenvolvimento de competências na interação com públicos diversos, desde os mais participativos aos mais reservados. Já para os idosos da Candelária, estas visitas representam uma forma de combater o isolamento social e incentivar um envelhecimento ativo.
De acordo com os responsáveis, as dinâmicas desenvolvidas contribuem para acalmar os jovens, afastando-os temporariamente da dependência tecnológica, ao mesmo tempo que ativam os idosos, que se sentem valorizados ao partilhar as suas vivências. Além disso, promovem o respeito mútuo e a criação de laços duradouros, que ultrapassam o período da visita.
Ao completar 10 anos, o projeto continua a construir pontes entre territórios geograficamente distantes, reforçando a importância da solidariedade intergeracional e da partilha de conhecimentos na construção de uma comunidade mais coesa e consciente.
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