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Wikiloc | Trilha Rio Degebe - Moinhos de água

 

No dia 9 de Maio, assinalou-se o Dia da Espiga, também conhecido como Quinta-Feira da Ascensão. Celebrou-se a consagração da Primavera e, de acordo com a tradição católica, a subida de Jesus Cristo aos céus 40 dias após a ressurreição (Páscoa).

Segundo a tradição, o Dia da Espiga era considerado “o dia mais santo do ano”, em que não se devia trabalhar e em que as pessoas partiam num passeio matinal pelos campos para colherem espigas e depois fazerem um ramo que incluía também flores silvestres como papoilas ou malmequeres, raminhos de oliveira, de alecrim e de videira.

No âmbito do Projeto Moinhos de Degebe e para celebrar o Dia da Espiga , os alunos e pais da Escola Básica de São Manços e demais população de São Manços e Vendinha também partiram pelos campos e tiveram a oportunidade de participar nas visitas guiadas ao Moinho do Albardão, orientados pela Dr.ª Francisca Mendes, investigadora do CIDEHUS (Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades) da Universidade de Évora, autora do estudo “Os Moinhos do Rio Degebe: contributos para salvaguarda da sua memória”. O evento decorreu durante todo o dia, incluindo piquenique partilhado.

O projeto acima referido pretende salvaguardar a memória dos antigos moinhos do rio Degebe. É financiado pelo Orçamento Participativo Portugal 2017 (Projeto Nº251), e desenvolvido no âmbito de um protocolo de cooperação entre a Direção Regional de Cultura do Alentejo e o CIDEHUS-Universidade de Évora, tendo uma execução de ano e meio.

O Rio Degebe nasce perto de Évora, é afluente do rio Guadiana e tem uma extensão de cerca de 75 Km, abrangendo os concelhos de Évora, Portel e Reguengos de Monsaraz. Ao longo das margens do rio contavam-se cerca de 30 moinhos hidráulicos que, durante séculos, caracterizaram a paisagem ribeirinha. São memória de uma atividade – a moagem – e de uma profissão – o moleiro – ligadas à produção e transformação de cereais desde os tempos mais remotos até aos meados do século XX.

Esta intensa atividade foi o elo de relações, de vivências e de inovações no seio das sociedades rurais. Os mecanismos de moagem constituíram elementos de grande significado para a economia local, pois abasteciam as comunidades de farinha para o fabrico do pão, base da alimentação das populações. Um mundo que chegou ao fim com a implementação das tecnologias industriais que condenaram os moinhos ao abandono. É, assim, urgente conhecer e registar este património para o valorizar e divulgar, mostrando às atuais e futuras gerações as marcas do passado.

Os objetivos do projeto incluem: localização e identificação no terreno os Moinhos do rio Degebe; levantamento de estruturas arquitetónicas e tecnológicas ainda existentes; registo fotográfico dessas estruturas; estudo e interpretação do património molinológico; comunicação, disseminação e partilha dos resultados com a sociedade, através de um website e outros meios de comunicação.

Os participantes na visita aos Moinhos do rio Degebe tiveram oportunidade de apanhar o Ramo da Espiga, em que cada planta está associada a um significado: 

  • As espigas representam o pão, como a base do sustento da família e a fecundidade.
  • papoila significa amor, vida.
  • malmequer simboliza a riqueza e a prosperidade.
  • A presença da oliveira significa Paz e a Luz Divina.
  • alecrim representa a saúde, força e resiliência.
  • videira simboliza o vinho e a alegria.

Ditam os antigos costumes que o ramo deve ser colocado atrás da porta de entrada de casa e apenas deve ser substituído no ano seguinte, por um ramo novo, como símbolo de sorte e prosperidade do lar. Porque, segundo o ditado popular “Quem tem trigo de Ascensão, todo o ano terá pão.”

in https://hortodocampogrande.pt/flores/dia-da-espiga-conheca-a-historia-e-o-simbolismo-desta-data/

https://www.cidehus.uevora.pt/investigacao/projetos/Projetos-Associados/Os-Moinhos-do-Rio-Degebe-Contributos-para-Salvaguarda-da-sua-Memoria

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