
No dia 27 de maio, pelas 15 horas, o Dr. Alfredo Leite, Psicólogo Educacional e Professor Universitário, esteve presente no Auditório da Escola Severim de Faria para falar sobre o tema “Gestão de conflitos em sala de aula”, a convite do Centro de Formação Beatriz Serpa Branco.
Com uma presença dinâmica e marcante, o Psicólogo e Professor cativou rapidamente a audiência através do choque , da surpresa e dos valiosos conhecimentos transmitidos.
O Dr. Alfredo Leite começou por “medir a pulsação” do público presente, auscultando os docentes sobre os eventuais problemas com que se debatem ao nível disciplinar, na sua atividade letiva diária.
A partir das respostas obtidas através da sua inquirição, o Dr. Alfredo Leite iniciou a sessão , referindo qual é o papel do professor na sociedade atual e os desafios que enfrenta perante a concorrência ( por vezes desleal) da Inteligência Artificial.
Seguidamente, apresentou uma listagem de 10 problemas modernos que podem condicionar as relações educacionais e ser geradoras de conflitos.
- Baixíssima tolerância à frustração;
- Necessidade constante de estímulo;
- Explosões emocionais mais rápidas;
- Diminuição da autoridade natural do adulto;
- Pais mais ansiosos e mais defensivos;
- Alunos emocionalmente hiperreativos;
- Excesso de comparação social digital;
- Desgaste emocional docente acumulado;
- Salas de aulas sobrecarregadas;
- Exaustão por estado de alerta permanente.
Para ajudar a resolver conflitos, foi também apresentado pelo Dr. Alfredo Leite o Modelo Pedagógico High Scope .
O High Scope é uma abordagem educativa que assenta essencialmente em cinco princípios básicos de aprendizagem:
- Aprendizagem pela ação: aprendizagem ativa. A criança constrói o conhecimento que a ajuda a dar sentido ao mundo. Resolve problemas, cria estratégias, coloca questões, procura respostas. A criança toma a iniciativa nas suas ações. A aprendizagem pela ação tem por base as experiências chave que fazem com que as crianças se envolvam em interações criativas e permanentes com pessoas, materiais, outras crianças…
- Interação adulto criança: o adulto partilha o controlo com a criança, centra-se nas suas riquezas e talentos, apoia as suas brincadeiras utilizando estratégias de interação. O adulto apoia as intervenções da criança com encorajamento e de acordo com uma abordagem de resolução de problemas e de conflitos. A aprendizagem pela ação depende das interações positivas entre adulto criança.
- Ambiente de aprendizagem: espaço físico. Deve ser agradável para a criança. Assenta em áreas, materiais e organização. O espaço físico deve dar à criança oportunidades permanentes para realizar escolhas e tomar decisões. As áreas devem apoiar o constante e comum interesse das crianças em atividades diversas como a construção e o faz-de-conta, entre outras. O espaço deve ter uma boa organização, os locais devem ter fácil acesso para as crianças, como prateleiras baixas, caixas transparentes, rótulos com desenhos e símbolos que as crianças entendam. As crianças devem poder encontrar, utilizar e arrumar os materiais sozinhas. Os materiais existentes devem adequar-se às necessidades, interesses e competências das crianças visto que condicionam a atividade das crianças e as suas aprendizagens.
- Rotina diária: deve ser consistente. Inclui o planear-fazer-rever, onde as crianças expressam as suas intenções, põem-nas em prática e refletem sobre o que fizeram durante o tempo de brincadeira. O trabalho de pequeno grupo também faz parte da rotina diária de uma sala de jardim de infância. Este tempo de trabalho encoraja as crianças a explorar e a experimentar materiais novos ou familiares selecionados pelos adultos com base nas suas observações diárias dos interesses das crianças, das experiências e dos acontecimentos locais. Também o trabalho de grande grupo faz parte da rotina, onde as crianças e os adultos iniciam atividades de música e movimento, de representações de histórias, de jogo cooperativo, de reflexões coletivas e de projetos. É com uma rotina diária consistente e que apoie a aprendizagem ativa que as crianças constroem o sentido de comunidade. As crianças devem poder antecipar o que vão fazer a seguir. Deve incluir tempos específicos individuais e de grupo.
- Avaliação: observação/avaliação diária da criança baseada no trabalho de/em equipa. As crianças e os contextos são observadas e posteriormente avaliadas. Deve trabalhar-se em equipa para construir e apoiar o trabalho nos interesses e competências de cada criança.
Para melhor aprofundar este modelo pode sempre visitar este link que o ajudará aprofundar conhecimentos.
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