
Como manda a tradição, por norma, em Portugal, as pessoas vão para as ruas cantar as “janeiras”, de porta em porta – sobretudo nas pequenas vilas – e, como forma de agradecimento, os moradores das casas oferecem aos cantores, alguns doces, ou outras iguarias. Por mais que muita gente não o aprecie, sobretudo pelas frutas cristalizadas que o enfeitam, o Bolo Rei é provavelmente a iguaria protagonista nesta época. Segundo o The Portugal News, a sua história remonta aos festejos romanos. No entanto, a Igreja Católica, mais tarde, aproveitou a tradição e converteu-a para o cristianismo.
Além disso, durante muito tempo, o Bolo Rei trazia um pequeno brinde e uma fava. Há quem aproveitasse a data para dar mais alegria às crianças que, de coroa na cabeça, desejavam encontrar o brinde que, segundo a lenda, lhes traria alegria. A fava, por outro lado, ditava quem teria de oferecer o Bolo Rei no ano seguinte. Mas em 1999, a lei portuguesa ditou que não seria permitido colocar brindes no Bolo Rei, já que isso poderia constituir um perigo para a saúde, devido à possibilidade de asfixia, ou de doenças gástricas.
As tradições da comemoração do Dia da Epifania e da noite de Natal acabaram por se misturar ao longo dos séculos. Por exemplo, a troca de presentes acontecia no Dia de Reis (quando de facto os reis magos presentearam o Menino Jesus) e não na noite de Natal. Estando as datas muito próximas, os hábitos foram-se alterando. No entanto, há quem continue a fazê-lo dessa maneira, principalmente nos países hispânicos como Espanha.
De acordo com a CNN Brasil, em várias partes do país, ao pôr-do-sol do dia 5 de janeiro, também é feito um desfile com pessoas em roupas típicas tradicionais montadas em cavalos, conhecido como “Cavalgada do Dia de Reis”. Também em Itália, muitos italianos fazem a troca de presentes neste dia, ao invés de no dia de Natal. Existe ainda uma lenda italiana que conta a história de uma bruxa “bondosa” que presenteava as crianças que fizeram bons atos durante o ano e daria pedaços de carvão ou cinzas àqueles que fizeram mais asneiras. Segundo a tradição, as crianças devem, por isso, colocar meias na janela no dia de Reis para receber o seu presente e perceber se são bem comportados ou desobedientes.
Na Argentina e no Uruguai, por exemplo, come-se a chamada Rosca de Reyes, bastante parecida ao Bolo Rei, mas recheado com chantilly ou natas, atualmente também com café, trufa ou chocolate. Além disso, existe a tradição das crianças deixarem um sapato junto à porta com erva e água para os camelos dos Reis Magos.
Já na Finlândia fazem-se bolachas de gengibre em forma de estrela ao mesmo tempo que se pede desejos. Segundo a tradição, a bolacha deve ser repartida em três e comida em silêncio, para que cada desejo se realize.
Neste dia, na Bulgária, um padre atira uma cruz de madeira para dentro de água e os homens mais jovens devem mergulhar para a resgatar. Acredita-se que quem a conseguir encontrar, terá saúde e sorte nesse ano. Tanto na Hungria, como na Alemanha, as crianças vestem-se de Reis Magos. No primeiro país, estas transportam presépios nas mãos e vão de porta em porta pedir moedas. Já no segundo, escrevem as iniciais do nome nas portas das casas.
Em Cuba, desde o tempo da colonização espanhola, também persiste a tradição de celebrar os Reis. Nessa época, no dia 6 de Janeiro, dava-se folga aos escravos e estes saíam à rua para dançar ao som dos tambores. É por isso que este dia ainda é conhecido como a “Páscoa dos Negros”.
Em Louisiana, um estado do sudeste dos EUA, no Golfo do México, o dia marca o início das preparações do Carnaval. A tradição é de comer o “King Cake”, semelhante ao Bolo Rei de Portugal. Por fim, na Irlanda, o dia é considerado o “Natal das Mulheres” e, por isso, estas ficam a descansar. Muitas mulheres acabam mesmo por combinar um encontro e partilharem uma refeição.
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