


No dia 4 de janeiro de 2024 celebrou-se o Dia Mundial do Braille. O nome deriva do apelido de Louis Braille, um jovem francês de Coupvray, uma localidade perto da cidade de Paris.
Aos 3 anos, enquanto brincava na oficina do pai com as ferramentas, Louis feriu-se gravemente, acabando por ficar cego dos dois olhos.
Mesmo assim, os pais encaminharam-no normalmente para a escola. Apesar da sua incapacidade natural na leitura e escrita, Braille desenvolveu uma enorme capacidade de memorização, tornando-se um aluno exemplar.
Em 1819, conseguiu um feito que lhe veio a dar uma considerável mais-valia a nível académico e intelectual: ser admitido no Instituto Nacional dos Jovens Cegos, uma instituição especial de ensino para cegos, criada por Valentin Haüy, em 1784.
Nessa escola especial, os livros de estudo eram escritos com letras em alto-relevo.
Em 1921, um antigo capitão do exército francês, Charles Barbier de la Serre, foi autorizado a fazer uma apresentação de um código que havia criado a pedido de Napoleão. Esse código tinha sido inventado para permitir aos soldados que comunicassem de forma totalmente silenciosa e, caso fosse de noite, sem utilização de qualquer luz. Como o código era constituído à base de pontos detetáveis pelos dedos, queria-se analisar a viabilidade de o utilizar em substituição dos pesados livros em alto-relevo.
Contudo e apesar de revelar um enorme potencial, este código era demasiado complexo para ser utilizado pelos invisuais na sua forma original, o que inspirou Braille a buscar uma forma mais simplificada de forma a ser utilizável.
A princípio hesitante mas depois entusiasmado, Braille dedicou-se ao trabalho de aperfeiçoamento e adaptação do código original. A sua perseverança e dedicação deram frutos em apenas três anos e em 1824 estava largamente concluído aquele que ainda hoje é o método de leitura de milhões de invisuais em todo o mundo.
Deu conhecimento do seu trabalho em 1829, publicando o livro “Method of Writing Words, Music, and Plain Songs by Means of Dots, for Use by the Blind and Arranged for Them”.
Braille tornou-se professor no Instituto onde tinha sido estudante mas apesar do respeito e admiração que os seus alunos tinham por ele, o seu método de leitura e escrita nunca foi utilizado pela instituição, cujos responsáveis achavam desnecessário alterarem os métodos e até eram contra o sistema inventado por Braille, ao ponto de terem despedido o diretor do Instituto após este ter mandado traduzir um livro naquele sistema.
Só em 1854, dois anos após a morte de Louis Braille, é que o método de Braille foi finalmente adotado no Instituto, muito devido a uma enorme pressão feita pelos estudantes nesse sentido.
O sistema espalhou-se rapidamente por França mas demorou bastante mais a ser aceite pelo resto do mundo. Só com a intervenção do médico inglês Thomas Hermitage é que o sistema de Braille teve o seu impulso decisivo para se propagar de forma universal. Em 1973, Thomas Hermitage foi o orador principal na conferência europeia dos professores dos invisuais e, nessa altura, explicou e defendeu apaixonada e assertivamente a importância da adoção do sistema de Braille em proporção universal. Só assim seria possível, afirmou ele, dar-se acesso ao conteúdo dos livros e a toda a restante cultura e informação, aos invisuais de todo o mundo.
A sua intervenção teve um efeito extraordinário. Pelo ano de 1882, o método de Braille já era utilizado pelos invisuais de praticamente todos os continentes.
Hoje em dia, já existem computadores em Braille, serviços de e-mail como o RoboBraille que convertem os documentos em Braille e até um sistema de matemática científica chamado de Nemeth Braille.
Não restam portanto quaisquer dúvidas que os esforços daquele jovem, que ficou cego devido a um acidente, derrubaram muitas barreiras existentes pela limitação física da cegueira, proporcionando aos invisuais uma integração na sociedade mais fácil e rápida.
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